Desabafos

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Síndrome de Peter Pan há muitos anos, síndrome de impostor na maior parte dos dias.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

palavras numa caixa de cartão

Se todos os dias me sobrassem palavras, guardá-las-ia a todas numa caixa de cartão para não fugirem. Na mesma caixa onde temos o nosso amor guardado, a tua parte e a minha, para que este nunca se dissipe. Acredito que, um dia, precisaremos dele. Mas as palavras, que em tantos dias ocultei e não te disse, já não me pertencem, correram atrás do tempo que tem tanta pressa em fugir acompanhado do frio de Dezembro que nos aquecia o coração naquela altura. Por mais que tente, abro a boca, mas as palavras que tantas vezes aprisionei para não se escoarem, caem-me sem sentido e fogem-me por entre os dedos, sem que lhes consiga tocar. É um dos efeitos secundários que causas em mim nos dias de hoje e de amanhã. Antes, já há muito, as palavras não me faltavam, voavam sem esforço e dirigiam-se a ti com todo o amor do mundo, ou pelo menos com o meu. Juro, atingir-te-ia com todas as palavras bonitas e sinceras que conseguisse encontrar por aí perdidas, de maneira a que as agarrasses com toda a tua força e lhes desses o mesmo sentido de sempre, se pudesse. O meu problema digo-te eu qual é: é já não escutar o coração. Eu bem lhe dizia que um dia ia pôr as mãos nos ouvidos e fazer troça dele como ele fazia comigo, o teimoso insistia todos os dias em falar mais alto que eu, imagine-se só. Deixei de me importar com o pretérito perfeito e imperfeito e coloquei o futuro incerto nas mãos do irónico destino. Tu já não fazes o meu mundo girar e, até prova em contrário, concordarei que mais ninguém o fará rodopiar da mesma maneira como um dia tu fizeste. Até esse dia chegar, as palavras excessivas que hoje não digo aguardarão por ti numa caixa de cartão.

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