Desabafos

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Síndrome de Peter Pan há muitos anos, síndrome de impostor na maior parte dos dias.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

bater portas




Hoje voltaste a bater-me à porta. Ainda não perdeste essa intolerável mania, pois não? Volta e meia oiço a campainha, e de vez em quando nem oiço, pressinto, e deparo-me contigo, de sorriso malandro estampado no rosto, com essa expressão de criança perdida que já conheço tão bem, de bolsos vazios e coração também, meio sem sentido, ainda por se encontrar, esperando que eu te apare os golpes e gentilmente te volte a ceder o espaço que já há horas a perder de vista que deixaste despovoado no meu humilde coração. Contudo, hoje dei mais ouvidos ao lado esquerdo do cérebro e fiz o coração ignorar essas tuas falinhas mansas que já são minhas conhecidas de trás para a frente e de frente para trás. Hoje surpreendi-me a mim própria, afinal, o meu eu sempre veio com mais força desde a última recaída aos teus pés.
Coloquei a chave na fechadura e rodei-a devagar, talvez como que a angariar coragem, ou talvez para que durante esses meros segundos em que apenas uma porta nos dividia, pudesse pensar se valeria a pena que os meus eloquentes olhos verdes voltassem a fixar os teus banais olhos castanhos. A porta estava aberta, já não havia barreira capaz de separar o meu mundo do teu, que se misturavam numa dança de cores, sons, cheiros, lágrimas, sorrisos e memórias, repleta de saudade. Eu, incapaz de te questionar o que quer que fosse, fiquei imóvel, e tu, tão desprovido de sentido desde o momento em que ali chegaras, incapaz foste de pronunciar palavra que me esclarecesse a tua ida às portas de minha casa, ou do meu coração. Para meu grande espanto, deste parte fraca e deixaste-te cair no tapete da entrada como um derrotado. Enchi-me de determinação e fechei a porta lentamente, observando cada lágrima que caía do teu rosto, como quem saboreia uma vitória inesperada mas merecida. Desculpa lá o mau jeito, mas já não preciso de mais heróis sem capa nem de mais guerreiros sem valor na minha vida.

11 comentários:

  1. ta muito fiixe, mas da vontade de chorar!
    adorei

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  2. nada de mais, escreves bem (:
    és de perto xP

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  3. eu já digo, pode ser ? ainda tenho de ver .__.
    tambem sou da região de faro, sou de albufeira.

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  4. já está.
    sim, és de que sitio de Faro ?

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  5. mais ou menos, hoje (de manhã) fui a faro que milagre eu acordar cedo xP.
    não sei como seguir o teu x_x

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  6. Fiquei SEM PALAVRAS com este texto, minha querida, acredita.
    Está tão bem estruturado, tão bem tudo que ao lê-lo ia fazendo, na perfeição, a sequência de imagens como se fosse um verdadeiro filme.
    Gostei da tua forma de escrever, da maneira como são encarados os sentimentos.

    "Enchi-me de determinação e fechei a porta lentamente, observando cada lágrima que caía do teu rosto, como quem saboreia uma vitória inesperada mas merecida."
    Sabe bem sentirmos-nos vencedores, não sabe?
    E não temos de ser sempre nós a dar a parte fraca, também temos orgulho mas, na verdade, eu na tua posição, não sei se teria coragem para tal acto (...) *

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